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OECD Global Plastics Outlook

Primeiro relatório a fazer um balanço abrangente da produção, uso e destino final de resíduos de plástico, a descobrir os fatores económicos que lhe estão subjacentes e a mapear os impactes ambientais a nível global

O atual ciclo de vida dos plásticos está longe de ser circular.

De um modo global, a deposição de plásticos, assim como as emissões de gases com efeito de estufa, têm vindo a aumentar.
É urgentemente necessário tornar o ciclo de vida dos plásticos mais circular, o que exige uma melhoria das políticas nacionais e da cooperação internacional, a fim de mitigar os impactes ambientais em toda a cadeia de valor.

 

O relatório da OCDE Global Plastics Outlook: Economic Drivers, Environmental Impacts and Policy Options é o primeiro relatório a fazer um balanço abrangente da atual produção, uso e geração de resíduos, a descobrir as forças motrizes (drivers) económicas subjacentes e a mapear os impactos ambientais relacionados a nível global.

O relatório identifica ainda quatro alavancas-chave para "dobrar" a curva de produção de plásticos:

  • mercados de reciclados,
  • inovação tecnológica,
  • medidas de política doméstica e
  • cooperação internacional, incluindo financiamento internacional.


Onde estamos? O que pode ser feito? O que é que os decisores políticos e as partes interessadas podem fazer?

Este Outlook pretende informar e apoiar os esforços de políticas para combater a produção de plástico.

 

De acordo com este novo relatório da OCDE, a nível global está-se a produzir duas vezes mais resíduos plásticos do que há duas décadas, acabando a maior parte deles em aterros sanitários, incinerados ou descarregados no ambiente, sendo apenas 9% reciclados com sucesso.

Adiantando-se às negociações nas Nações Unidas sobre ações internacionais tendo em vista reduzir os resíduos de plástico (cf. ONU), o primeiro Global Plastics Outlook da OCDE mostra que, à medida que o aumento da população e dos salários impulsionam um aumento da quantidade de plástico usado e deitado fora, as políticas para conter a sua deposição no ambiente estão a manifestar-se insuficientes.

De acordo com este Outlook, quase metade de todos os resíduos plásticos são gerados nos países da OCDE.

Os resíduos plásticos gerados anualmente por pessoa variam de 221 kg nos EUA e 114 kg nos países europeus da OCDE a 69 kg, em média, no Japão e na Coreia.

A maior parte da poluição por plásticos deriva de uma inadequada recolha e deposição dos resíduos de plástico de maior dimensão, conhecidos como macroplásticos, mas a deposição de microplásticos (polímeros sintéticos menores que 5 mm de diâmetro), tal como pellets de plástico industrial, têxteis sintéticos, marcações de estradas e desgaste de pneus, constituem também uma preocupação séria.

Os países da OCDE são responsáveis por cerca de 14% do depósito geral de resíduos de plástico no ambiente: 11% de macroplásticos e 35% de microplásticos.

O Outlook observa ainda que a cooperação internacional na redução da poluição por plásticos deve incluir o apoio aos países de baixo rendimento através do desenvolvimento de uma melhor infraestrutura de gestão de resíduos a fim de reduzir a deposição dos resíduos de plástico.

O relatório conclui que a crise do COVID-19 levou a uma diminuição de 2,2% no uso de plásticos em 2020, à medida que a atividade económica desacelerou, mas levou a um aumento de plástico no lixo, tendo a sua origem em embalagens de alimentos e equipamentos médicos de plástico, como máscaras. Com a retomada da atividade económica em 2021, o consumo de plásticos também se aumentou.

 

Reduzir a poluição por plásticos exige ação e cooperação internacional com o objetivo de reduzir a produção de plástico, passando pela inovação, por um  melhor design de produtos e pelo desenvolvimento de alternativas "amigas do ambiente", bem como de esforços para melhorar a gestão de resíduos e aumentar a reciclagem.

Proibições e impostos sobre plásticos de uso único existem em mais de 120 países, mas não estão a ser suficientes para reduzir a poluição geral. A maioria dos regulamentos limita-se a itens como sacos de plástico, que representam uma pequena parcela dos resíduos plásticos, e são mais eficazes na redução do lixo do que na redução do consumo de plásticos. Impostos sobre aterros e incineração que incentivam a reciclagem existem apenas numa minoria de países.

O Outlook faz apelo a um maior uso de instrumentos como esquemas de Responsabilidade Estendida do Produtor para embalagens e bens duráveis, impostos sobre aterros sanitários, sistemas de reembolso de depósitos e Pay-as-You-Throw.

 

A maioria dos plásticos em uso hoje são plásticos virgens – ou primários – feitos de petróleo bruto ou gás.

A produção global de plásticos reciclados – ou secundários – mais do que quadruplicou de 6,8 milhões de toneladas (Mt) em 2000 para 29,1 Mt em 2019, mas ainda é apenas 6% da produção total de plásticos.

É preciso fazer mais para criar um mercado separado e funcional para plásticos reciclados, que ainda são vistos como substitutos do plástico virgem.

A definição de metas de reciclagem e o investimento em melhores tecnologias de reciclagem podem ajudar a tornar os mercados secundários mais competitivos e lucrativos.

 

Algumas revelações importantes do Outlook:

  • O consumo de plástico quadruplicou nos últimos 30 anos, impulsionado pelo crescimento dos mercados emergentes. A produção global de plásticos duplicou de 2000 para 2019, atingindo 460 milhões de toneladas. Os plásticos são responsáveis ​​por 3,4% das emissões globais de gases de efeito estufa.
  • A geração global de resíduos plásticos mais que duplicou de 2000 a 2019, para 353 milhões de toneladas. Quase dois terços dos resíduos plásticos vêm de plásticos com vida útil inferior a cinco anos, sendo 40% provenientes de embalagens, 12% de bens de consumo e 11% de roupas e têxteis.
  • Apenas 9% dos resíduos plásticos são reciclados (15% são recolhidos para reciclagem, mas 40% são descartados como resíduos). Outros 19% são incinerados, 50% vão para aterro e 22% escapam aos sistemas de gestão de resíduos e vão para lixeiras não controladas, queimados a céu aberto ou acabam em ambientes terrestres ou aquáticos, principalmente nos países mais pobres.
  • Em 2019, 6,1 milhões de toneladas (Mt) de resíduos plásticos foram colocados em ambiente aquático e 1,7 milhões de toneladas nos oceanos. Há cerca de 30 Mt de resíduos plásticos nos mares e oceanos, e mais 109 Mt acumularam-se nos rios. A acumulação de plásticos nos rios implica que o envio de plásticos para os oceanos continuará nas próximas décadas, mesmo que a má gestão dos resíduos plásticos possa ser significativamente reduzida.
  • Considerando as cadeias de valor globais e o comércio de plásticos, alinhar as abordagens de design e a regulamentação de produtos químicos será fundamental para melhorar a circularidade dos plásticos. Uma abordagem internacional para a gestão de resíduos deve levar à mobilização de todas as fontes de financiamento disponíveis, incluindo a ajuda ao desenvolvimento, para ajudar os países de baixo e médio rendimento a arcar com custos estimados de 25 bilhões de euros por ano para melhorar as infraestruturas de gestão de resíduos.

 

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